Deus das Pequenas Coisas

Não faz mal nenhum ser muito exigente connosco. Desde que não coloquemos a fasquia tão alto, que tenhamos medo, só de olhar para ela. E fiquemos parados. E é assim que começa este blog…

quinta-feira, setembro 21, 2006

Nós dois

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois…


Nós as três


Tinha saudades vossas. Ainda bem que aparecemos, umas às outras. Sabe bem, sentir que depois de tantas ausências os disparates continuam a ser os mesmos. Sabe bem parecer que ainda ontem dissemos até amanhã. Ainda que volte a durar um ano, ou dois, outra vez.


Eu sozinha

Pois é…. Ao fim e ao cabo este acaba por ser um espaço meu. Onde eu posso escrever tudo aquilo que quero. Um espaço egoísta, que eu ocupo com todo o meu umbigo. Hoje não consigo nenhuma reflexão filosófica, nenhum texto cheio de significado, nenhum novo sentido para a vida. Tenho sono. Até porque existe sempre o próximo post. Até amanhã. (Porque é que eu tenho o colesterol tão alto???)

terça-feira, setembro 19, 2006


Lisboa
Lisboa é a minha cidade. Onde eu nunca me sinto só. Onde os cheiros entram e fazem parte de mim. Onde abraço todas as pessoas (mesmo as que me assaltam e levam o telemóvel!). Onde me perco todos os dias, e onde me sabe tão bem encontrar. Tem as minhas cores, os meus sentidos. O meu brilho reflectido no Tejo. A minha ânsia escorrida no Marquês. Lisboa é a minha cidade, pequenina como eu (cabe na palma da mão) e tão grande cá dentro! Tão grande que me faz sentir tão eu, tão sua, tão nós, as duas.
Ela
Tem os cabelos castanhos, claros, meio encaracolados. Cabelos de adolescente, que ainda não cresceram o suficiente para enfeitarem uma cabeça adulta. Tem uns olhos claros, meio indefinidos e pardos. E sardas, nas duas bochechas. É baixinha e magricela. Pinta as bolas dos o’s, dos a’s e as barrigas dos d’s, em todos os textos dos livros. Perde-se a olhar pela janela da sala, e até parece que está a sonhar, de olhos bem abertos. Quando lhe perguntam o que é que gostava mais de ter, responde liberdade. Liberdade para poder sair até mais tarde com as amigas, ficar mais uma hora, ou duas. O olhar envergonhado passeia pelo chão. Claro que quer sair, e divertir-se. Só tem quatorze anos, e é isso mesmo que se faz aos quatorze anos. Quer-se ser diferente, sem no entanto deixar de ser igual a todos os outros. Aos quatorze anos estamos a começar a ser, a mexer as coisas cá dentro. A aprender a dizer muitas vezes que não, e outras tantas que sim. A aprender a deixar de ter medo do escuro e a passar a ter muito medo do escuro. Aos quatorze anos tem-se tudo, porque ainda se acredita que é possível ter tudo. Menos um filho. E isso ela já tem. Um filho que nasceu ali mesmo, dentro de casa, feito dentro de casa, por quem devia dizer que está tudo bem, e não tornar tudo tão errado. E ela, em vez de estar a crescer, está a fazer o que quer que seja que se faz, quando se tem quatorze anos e um filho de um ano nos braços.
É claro que eu não a conheço. E ainda bem, porque não ia saber lidar com ela.