Deus das Pequenas Coisas

Não faz mal nenhum ser muito exigente connosco. Desde que não coloquemos a fasquia tão alto, que tenhamos medo, só de olhar para ela. E fiquemos parados. E é assim que começa este blog…

segunda-feira, outubro 23, 2006

Alemandês!

Ich wohnen in Lissabon.
Ich studiere biotechnologie!

sexta-feira, outubro 20, 2006

Sem título (ou então... Férias!!!)

terça-feira, outubro 17, 2006

Tira e Põe

Dou explicações a um rapaz obsessivo compulsivo. Ainda não sei muito bem lidar com isto. Não sei até quando é que posso exigir, qual é o limite real dele, e acima de tudo, quando é que ele tira e põe as coisas do sítio para fazer tempo, ou por uma necessidade imperiosa ditada por uma qualquer sinapse meio avariada do cérebro dele… Isto faz-me pensar. Até que ponto somos nós que controlamos os nossos actos, ou são os nossos actos que nos controlam a nós, ao definirem o tipo de atitudes que temos perante determinadas situações? Isto arrasa um bocado com o sobranceirismo com que olhamos para nós e para a nossa aparente sensação de auto-domínio, não é?

domingo, outubro 15, 2006

Alhos com Bogalhos

Há temas sobre os quais é difícil falar. Porque é difícil termos a certeza absoluta de que temos razão. Falar sobre aborto para mim é complicado. A própria palavra aborto é feia, e remete para uma realidade obscura. No entanto acho que é importante, enquanto sociedade, caminharmos para a responsabilização das pessoas. E é por isso que acho que o aborto deveria ser despenalizado, com toda a carga psicológica negativa que isso gera, inclusive em mim. No entanto acho que a liberdade deve ser o motor de qualquer sociedade, de qualquer ideal de vida. O complicado aqui é definir onde fica a barreira da liberdade… geralmente a tua liberdade começa onde acaba a minha, no entanto, no caso do aborto, mãe e filho partilham o mesmo espaço físico (psicológico?), e por isso é muito difícil estabelecer a fronteira. Acho que acima de tudo esta terá de ser flexível, e determinada pelo juízo de cada um: não existe uma solução universal para esta questão. É claro que ainda temos de caminhar muito, para chegarmos ao ponto ideal, em que as pessoas são essencialmente seres pensantes… até lá, só nos resta não desistir, e termos sempre como objectivo ser todos os dias um bocadinho melhor.
No entanto, não posso deixar de franzir o sobrolho quando leio, no semanário Sol desta semana, o Editorial do António José Saraiva, em que no meio de muitas palavras, diz-se contra o aborto, pois Portugal é um país a envelhecer, e necessita de políticas de aumento da natalidade e não de medidas permissivas para com o aborto e quem o pratica. No meio de muitos argumentos que já ouvi contra o aborto, este foi sem dúvida o que me causou mais estranheza!
É claro que Portugal precisa de medidas de incentivo à natalidade. Precisa de mais creches, e mais acessíveis, precisa de apoio às mães, precisa de subsídios justos, precisa de muitas coisas… mas no meu entender nada disso têm a ver com o aborto. Não vamos começar a matar crianças em vez que promover o seu nascimento. Isso parece-me um pensamento monstruoso e sem pés nem cabeça. São duas realidades totalmente distintas, e enquanto tal devem ter enquadramentos diferentes, e não devem ser misturadas, só porque politicamente pode dar jeito. Para quê misturar alhos com bogalhos?